Alimentação hospitalar

Esses dias estive com minha afilhada internada em um hospital renomado aqui no Rio de Janeiro. Ela estava precisando regular a pressão para poder passar por uma cirurgia complicada, logo a dieta dela deveria ser zero em sódio. Mas a surpresa começou no café da manhã: pão francês com queijo provolone e suco de caixinha.
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Não é preciso ser nutricionista para saber que isso não chega nem perto de uma refeição adequada, e eu ainda poderia completar: para uma CRIANÇA, com pressão alta, dentro do CTI, preste a entrar no centro cirúrgico. Mas o fato é que pão francês com provolone e suco de caixinha não é refeição adequada para NINGUÉM, em NENHUMA idade, sobre QUALQUER condição.

Meus compadres, ao questionarem e pedirem outra opção de café da manhã, foram tratados como ETs, como “os pais que dão trabalho”… e seguiram na frustração da refeição proposta pelo hospital. O serviço de nutrição se sentiu acuado e se justificou dizendo que é isso que as crianças comem, que se colocarem fruta e/ou suco de verdade, elas não vão comer … É assustador que esse discurso venha de um profissional da nutrição.

Eu entendo e sei MUITO bem que o padrão, infelizmente, é de crianças que comem mal, não é a toa que hoje, 1/3 da população infantil está acima do peso ou obesa. O que eu realmente não entendo e não me conformo é com o perfil acomodado, submisso e promotor desse padrão doente, insalubre e anti-nutricional, de quem deveria promover saúde.

Minha afilhada tem 15 meses, come de tudo, inclusive pão e suco de caixinha se essa for sua única opção, como foi. E a questão aqui é exatamente esta, ela não teve escolha, ela não teve como comer bem, dentro do CTI de um hospital de referência no Rio de Janeiro, “acompanhada’ pelo serviço de nutrição.

É inadmissível que seja IMPOSSÍVEL uma pessoa comer bem dentro de um hospital!!!

A irresponsabilidade, a falta de comprometimento e complacência diante do sistema inadequados já estabelecido é que estão deixando a sociedade cada vez mais doente, física e mentalmente.

Essas questões se estendem as escolas, que oferecem lanches recheados de açúcar, sódio e corantes, aos restaurantes que não dão opção para crianças comerem algo diferente daquele prato infantil insosso: arroz branco, feijão, bife e batata frita, as famílias que acham que refrigerante é água…

O que vejo por ai é muito mais a preguiça dos adultos em mudar o padrão, do que a resistência das crianças em comerem bem. Mudar padrão dá trabalho, dá muito trabalho.

Confesso que por instantes me sinto uma gota no oceano, tão pequena diante de desalinhos tão grandes e tão arraigados na nossa sociedade, mas quer saber, e dai? Se eu não fizer nada, se eu não falar nada, estarei sendo tão complacentes e irresponsável quanto o sistema que quero mudar.

Eu estou aqui fazendo a minha parte e vou continuar, dê o trabalho que der: Através dos meus programas (Socorro! Meu Filho Come Mal e Cozinha Colorida da Kapim) onde mostro que sim, é possível crianças comerem bem, se divertindo e mudando seus hábitos. Faço isso nas palestras onde olho nos olhos de mães e pais e vejo que consigo toca-los, no meu consultório no trato direto com as famílias, nos textos, posts, vídeos que produzo e/ou compartilho.

Eu realmente acredito que criança pode gostar de comer bem, basta que ensinemos isso a elas! E minha missão é mudar padrão de quem não acredita nisso!!!

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